Fisioterapia na Saúde da Mulher

12 de novembro de 2012

A atuação da Fisioterapia na Saúde da Mulher permite intervir sobre vários aspectos da função e do movimento humano, que sofrem mudanças e alterações durante o ciclo de vida da mulher, desde a adolescência até a fase adulta, passando pelo período gestacional, menopausa e terceira idade. São propósitos da Fisioterapia promover mudanças no comportamento das mulheres, melhorando a qualidade de vida, incentivando práticas saudáveis e tratando de maneira conservadora, individual e segura gerando ótimos resultados.

Por isso, o Instituto RV traz para seus pacientes 3 novos tratamentos voltados para as principais patologias do universo feminino feitos de forma individual, segura e com ótimos resultados:

  1. FISIOTERAPIA UROGINECOLÓGICA
  2. FISIOTERAPIA OBSTÉTRICA
  3. FISIOTERAPIA NO CÂNCER DE MAMA


Fisioterapia Uroginecológica

A fisioterapia uroginecológica consiste no tratamento e prevenção das disfunções do assoalho pélvico, que envolve músculos, fáscias, ligamentos e se localiza na base na pelve e têm como função dar sustentação aos órgãos pélvicos, manter a continência urinária e fecal e função sexual. Indicada em qualquer faixa etária, a fisioterapia uroginecológica procura prevenir ou tratar as disfunções relacionadas a esta musculatura (também pode ser feita em homens com os mesmos objetivos).

As disfunções mais comuns são: perda de urina e/ou fezes (incontinência urinária e/ou fecal), sintomas vesicais (retenção urinária), queda de órgãos (distopias genitais), dificuldade para evacuar (constipação), dores ou pós-operatório de cirurgias na região pélvica (dor pélvica crônica) e disfunções sexuais (vaginismo, dispareunia).

A Sociedade Internacional de Continência, bem como outras sociedades médicas internacionais e nacionais, indicam a Fisioterapia como a primeira linha de tratamento para as disfunções perineais. Assim, o tratamento não cirúrgico é uma boa opção inicial ou adjuvante às técnicas cirúrgicas que não obtiveram sucesso.

A Fisioterapia Uroginecológica é realizada através de:

  • Cinesioterapia – exercícios específicos para o assoalho pélvico
  • Treinamento funcional do assoalho pélvico em atividades de maior sobrecarga da região
  • Eletroestimulação intracavitária ou percutânea para uma neuromodulação desta musculatura
  • Técnicas de biofeedback manométrico para melhor conscientização e facilitação do treinamento
  • Correções posturais e mudanças comportamentais já que até os hábitos alimentares e do dia a dia podem influenciar nessas alterações.

 

Fisioterapia Obstétrica

pregnant-woman-exercise-ball4-300x205 A gravidez é uma condição especial de saúde que traz diversas modificações e adaptações no organismo materno, que são necessárias para o estabelecimento e progressão da gestação. Tais mudanças são, principalmente, o resultado da interação de alguns hormônios, no entanto, alguns desses ajustes podem resultar em desconforto, ou mesmo em dor, causando limitações durante o dia a dia. As alterações podem ocorrer em todos os órgãos e sistemas do corpo da gestante, como pele (hiperemia e aumento da sudorese), trato urinário (aumento dos rins, alterações na reabsorção de glicose e hipotonicidade do sistema), sistema endócrino (secreção de progesterona, estrogênio e relaxina, entre outros hormônios, aumentada), gastrointestinal (diminuição da sua função), sistema locomotor (mobilidade articular aumentada, mudança na marcha e alteração postural), cardiovascular (anemia fisiológica da gestação, aumento do débito cardíaco e alteração da frequência cardíaca) e respiratório (aumento do volume corrente e redução do volume residual).

Pré-parto

A Fisioterapia tem como objetivo diminuir os incômodos e preparar o corpo para as mudanças que irão ocorrer, os principais efeitos sobre o corpo da gestante incluem o alívio da sintomatologia dolorosa, como as lombalgias; a melhora da circulação auxiliando na redução dos edemas; promove uma reeducação postural, melhora o tônus muscular, gera relaxamento, melhora a função intestinal (a constipação é uma queixa comum entre as gestantes), melhora o condicionamento do aparelho cardiorrespiratório e aumenta a auto-estima da gestante, proporcionando um bem-estar físico e emocional.

Ela é indicada a partir do segundo trimestre gestacional com a autorização prévia do médico. As condutas utilizadas são alongamentos e fortalecimento de uma maneira global, exercícios respiratórios e específicos para o assoalho pélvico de maneira apropriada para cada fase, além de técnicas de relaxamento e de consciência corporal. O trabalho do fisioterapeuta durante o período pré-natal é realizado para conscientizar a gestante de sua postura e de desenvolver a potencialidade dos seus músculos para que se tornem aptos a conviver com as exigências extras que a gravidez e o parto solicitarão.

Acompanhamento e preparação para o trabalho de parto

A escolha da via de parto é determinada por parâmetros clínicos-obstétricos como atividade uterina, avaliação da pelve, vitalidade fetal, entre outros. A compreensão desses fatores implicam em conhecimentos multidisciplinares, tornando a assistência ao parto multiprofissional, com atribuições de responsabilidades e risco divididas entre os profissionais e a paciente.

A Fisioterapia irá auxiliar e propiciar um maior suporte para aquelas mães que decidiram pelo parto normal, valorizando sua responsabilidade no processo, por meio do uso ativo do próprio corpo. As diferentes posturas que a gestante deve adquirir precisa ser demonstrada e praticada durante as aulas pré-natais, a fim de prepará-la para o momento do parto.

A atuação irá variar de acordo com a fase do trabalho de parto, a primeira é a latente (dilatação do canal de parto) e a segunda é a ativa. O movimento durante o trabalho de parto, com mobilidade pélvica (utilizando bola) e posições verticais (deambulação, sentar, em pé, cócoras), acelera a atividade uterina e reduz o período de fase ativa e torna as contrações mais regulares e eficientes. Também são utilizadas técnicas de relaxamento para alívio da dor e exercícios respiratórios. Todas essas condutas são acompanhadas pela equipe obstétrica e a presença de um acompanhante escolhido pela paciente pode trazer um suporte maior.

Pós-parto

Após a chegada tão esperada, o período pós-parto também conhecido como puerpério tem duração de 6 a 8 semanas e é o momento em que as modificações locais e sistêmicas provocadas no organismo da mulher pela gravidez e parto retornam ao estado pré-gravídico. Classifica-se em imediato (1º ao 10º dia após o parto), tardio (do 11º ao 45º) e remoto (além dos 45 dias).

Na França, as mulheres são avaliadas logo após o parto e se for constatado a necessidade do tratamento, são encaminhadas para um especialista para já iniciarem sessões. Quanto antes começar mais rápido vem os resultados e diversas alterações podem ser evitadas. A Fisioterapia irá auxiliar independente da via de parto, cesariana ou normal.

Os procedimentos realizados são:

  • Orientações e cuidados com a cicatriz
  • Diminuição da dor utilizando crioterapia ou TENS
  • Exercícios focados para o assoalho pélvico para diminuir edema e dor na região
  • Prevenção para evitar diversas disfunções com a incontinência urinária, fecal e prolapsos (queda de órgãos)
  • Exercícios para redução da diástase abdominal (afastamento do reto abdominal)
  • Orientações referentes a posturas adequadas para amamentação e cuidados com o bebê.

 

Fisioterapia no Câncer de Mama

O câncer de mama é um dos mais frequentes no sexo feminino, principalmente na faixa etária dos 40 a 69 anos e pode estar relacionado a vários fatores. O tratamento ocorre através de cirurgia, que tem como objetivo promover o controle local e proporcionar maior sobrevida. Durante a cirurgia pode ocorrer o esvaziamento axilar (onde todos os linfonodos são retirados) ou a retirada apenas do linfonodo sentinela (primeiro linfonodo a receber as células malignas). Essa decisão ocorrerá dentro da sala de cirurgia através de um estudo anatomopatológico e irá alterar o tempo de recuperação do paciente.

Outras terapias também podem ser utilizadas isoladamente ou de forma combinada a cirurgia. A radioterapia é uma terapia local que pode ser realizada após a cirurgia ou junto com a quimioterapia, que é uma terapia sistêmica, podendo ser neoadjuvante (antes da cirurgia na tentativa de diminuir o tamanho do tumor) ou adjuvante (após a cirurgia). A hormonioterapia também é sistêmica e pode ser realizada antes ou após a cirurgia, ela é efetiva para aqueles tumores que possuem receptores hormonais (estrogênio ou progesterona) e os medicamentos serão tomados por muitos anos.

Após o tratamento, a mulher passa a ter um novo esquema corporal devido mudanças nos níveis anatômicos e funcionais. As alterações mais comuns após esses tratamentos são a diminuição da amplitude de movimento e da força muscular, alterações posturais e de sensibilidade, aderência de tecidos, deiscências, dor e o possível desenvolvimento de linfedema. O linfedema é uma consequência da interrupção ou alteração da função do sistema linfático gerando um acúmulo anormal, crônico e progressivo de proteínas e isso irá gerar um aumento do volume e perímetro do braço.

A intervenção da Fisioterapia é de extrema importância por conseguir proporcionar um suporte físico e mental antes e após a realização desses tratamentos para o câncer de mama. A abordagem se inicia no pré-operatório com orientações quanto à postura, esclarecimento de dúvidas do prognóstico e a importância da aderência à reabilitação após a cirurgia.

Quanto antes a reabilitação se iniciar, melhor será a resposta ao tratamento. O pós-operatório imediato será do dia 1° ao 15° dia e os movimentos do braço serão limitados de acordo com o tipo de cirurgia que foi realizada, mas já é possível se iniciar orientações quanto aos cuidados com o membro, exercícios posturais e respiratórios.

No pós-operatório tardio, que será a partir do 16° dia, a reabilitação se torna mais ativa e irá envolver cinesioterapia (exercícios terapêuticos) individual para a limitação do movimento de cada mulher, exercícios de dessensibilização, técnicas para diminuição de dores, orientações com o membro e a Terapia Física Complexa que engloba a drenagem linfática manual, cuidados com a pele, compressão que pode ser elástica ou inelástica e exercícios miolinfocinéticos. Ela possui duas fases, a primeira fase engloba uma frequência maior de atendimentos e a segunda fase serve para manutenção.

O foco do tratamento visa a qualidade de vida da mulher após o tratamento oncológico e por isso, a Fisioterapia engloba tanto o pré como o pós-operatório contribuindo para a minimização das alterações e proporcionando um melhor bem-estar para que a mulher retorne a sua rotina o mais breve possível.

 

6 comentários sobre “Fisioterapia na Saúde da Mulher

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *