Pilates na 3ª Idade

O número e a proporção de idosos entre a população mundial aumentou devido à evolução socioeconômica e aos melhores serviços médicos. É previsto que o idoso se tornará a maioria da população nos próximos 30 anos. Apesar desse aumento da expectativa de vida ser um ponto positivo, esse evento está baseado na quantidade de anos a mais, e não na qualidade dos anos vividos a mais. Mesmo com todo o desenvolvimento tecnológico e da medicina, o acréscimo de anos não trouxe maior autonomia e qualidade de vida para os idosos, sendo, portanto, necessário que as pesquisas busquem evidenciar formas de modificar esse quadro. A qualidade de vida e a satisfação que predominam na velhice estão associadas às conquistas, aos fatores socioeconômicos e à saúde, além da manutenção da capacidade de desenvolver atividades diárias. Em relação ao idoso, saúde é um conceito muito amplo e não pode ser simplesmente avaliada como presença ou ausência de doença. Afirmar que um idoso tem saúde, implica, necessariamente, na preservação da sua capacidade funcional no desenvolvimento das atividades diárias.

O envelhecimento consiste na degeneração progressiva dos sistemas corporais, o que afeta a capacidade de funcionamento do corpo. Além dos fatores biológicos, a redução do desempenho funcional pode estar associada ao sedentarismo, ao tabagismo e à alimentação inadequada. Esses fatores contribuem significativamente para a perda de força, flexibilidade, resistência e capacidade cardiorrespiratória, que, por sua vez, causa prejuízo no desempenho motor, repercutindo negativamente na autonomia funcional dos idosos. O processo de envelhecimento envolve uma série de alterações degenerativas graduais e irreversíveis do sistema do corpo, culminando na perda completa da função. Essas alterações podem causar perda de força, flexibilidade, coordenação, equilíbrio e memória, levando a déficits consideráveis de autonomia pessoal e qualidade de vida para os idosos.

A perda de equilíbrio representa uma grande dificuldade na vida dos idosos, caracterizando um controle postural reduzido em situações dinâmicas e estáticas, aumentando o risco de quedas e lesões. Este déficit tem consequências diretas na autonomia pessoal e funcional dessas pessoas. As limitações funcionais devido à idade, afetam a capacidade de cada indivíduo de realizar suas atividades, tornando a qualidade de vida e o bem-estar um desafio diário.

Muitos estudos têm enfatizado a importância da atividade física como forma de melhorar as condições orgânicas e retardar a degeneração física. A literatura atual fomenta o exercício físico como meio de promover a satisfação de vida, o autoconceito físico e a percepção do próprio estado de saúde. O método Pilates, desenvolvido por Joseph Pilates, é descrito como um método único de aptidão física, que utiliza uma combinação de fortalecimento muscular, alongamento e respiração para restaurar o equilíbrio muscular, solicitando a ativação e coordenação de vários grupos musculares ao mesmo tempo. É um sistema que envolve exercícios realizados no chão, denominado pilates solo, ou com o uso de uma variedade de equipamentos, denominado pilates aparelho. Joseph desenvolveu um sistema único de ligar molas e tiras de leitos hospitalares para ajudar os pacientes com deficiência e imobilizados a recuperar a força e o movimento.

O pilates consiste em uma atividade física que utiliza recursos como a gravidade e a resistência das molas, tanto para resistir ou auxiliar a execução do movimento. O método enfatiza a importância da estimulação proprioceptiva para melhorar o aprendizado motor. Associa o corpo e a mente, e tem como base seis princípios: centralização, concentração, controle, precisão, fluidez e respiração. Esses princípios reconhecem as interrelações entre os processos físicos e cognitivos para produzir um resultado positivo de melhora com a satisfação de vida, o autoconceito e a saúde. Segundo o criador do método, há uma coordenação total da mente, do corpo e do espírito, fornecendo a energia física e mental crucial para atingir saúde e felicidade.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

FERREIRA, A. C. et al. Effects of pilates-based exercise on life satisfaction, physical self concept and health status in adult women. Rev. Women and Health, v. 51, fevereiro, 2011.

FRIAS, M. A. E. et al. A contribuição da recreação para a qualidade de vida do idoso. Rev. Science in Health, v. 3, n. 2, setembro/dezembro, 2011.

HEATHCOTE, G. Autonomy, health and ageing: transnational perspective. Health Education Research, v.15, n.1, 2000.

IREZ, G. B. et al. Integrating pilates exercise into an exercise program for 65+ year old women to reduce falls. Journal of Sports Science and Medicine, v. 10, março, 2011.

JOHNSON, E. G. et al. The effects of Pilates-based exercise on dynamic balance in healthy adults. Journal of Bodywork and Movement Therapies, v. 11, 2007.

MATSUDO, M. S.; MATSUDO, V. K. R.; BARROS, T. L. N. Impacto do envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas da aptidão física. Rev. Brasileira de Ciência e Movimento, v.8, n. 4, 2000.

RODRIGUES, B. G. S. et al. Autonomia funcional de idosas praticantes de pilates. Rev. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 17, n. 4, outubro/dezembro, 2010. a

RODRIGUES, B. G. S. et al. Pilates method in personal autonomy, static balance and quality of life of elderly females. Journal of Bodywork and Movement Therapies, v. 14, 2010. b

ROGATTO, G. P.; GOBBI, S. Efeitos da atividade física regular sobre parâmetros antropométricos e funcionais de mulheres jovens e idosas. Rev. Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 3, n. 1, 2001.

SEKENDIZ, B. et al. Effects of Pilates exercise on trunk strength, endurance and flexibility in sedentary adult females. Journal of Bodywork and Movement Therapies, v. 11, 2007.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *